O preço que aparece na plataforma é a melhor cotação disponível em um instante e para um volume determinado. Não é um preço garantido para qualquer tamanho nem para sempre: é a ponta visível de um livro de ofertas que muda várias vezes por segundo. Entre o clique e a confirmação da execução passa um tempo, e nesse tempo o mercado continua funcionando.
A diferença entre o preço solicitado e o preço realmente obtido se chama slippage, ou deslizamento. Pode ser negativa, quando a execução sai pior do que o pedido, mas também positiva, quando o preço se move a favor nesse intervalo e a ordem entra melhor. Um modelo de execução sério aplica as duas com a mesma regra; medir o slippage médio do seu próprio histórico informa mais do que qualquer folheto.
A segunda peça é a profundidade de mercado. O livro tem níveis: um volume ao melhor preço, outro um pouco pior, outro mais longe. Uma ordem pequena é atendida inteira na primeira linha; uma ordem grande consome vários níveis e é executada a um preço médio ponderado que, por definição, é pior do que o primeiro exibido na tela. Não é falha da corretora: é como funciona qualquer mercado com contrapartes reais.
Os gaps são um caso extremo do mesmo fenômeno. Quando o mercado para de cotar (o fim de semana, um fechamento de sessão, uma suspensão) e as notícias continuam chegando, o preço de reabertura pode ficar longe do último fechamento, sem negócios intermediários. Dentro de um vão, o preço intermediário de que sua ordem precisava simplesmente não existe: nada foi negociado ali, e qualquer ordem pendente situada dentro do gap é acionada no primeiro preço disponível do outro lado.
A isso se somam a latência e a distância física. Cada milissegundo conta: o trajeto do seu terminal até o servidor e daí até o provedor de liquidez consome tempo, e uma conexão doméstica instável pode somar bem mais do que o próprio roteamento. É por isso que operadores automatizados hospedam suas estratégias em servidores próximos ao centro de dados da corretora; não compram mágica, compram milissegundos.
O tipo de ordem decide o que é garantido. Uma ordem a mercado garante execução, não preço: entra no melhor nível disponível naquele momento, qualquer que seja. Uma ordem limitada garante preço, não execução: se o mercado não chega ao seu nível, nada acontece. E aqui está o ponto que surpreende muita gente: o stop loss não é uma ordem limitada. Ao tocar o nível, ele se converte em ordem a mercado, de modo que protege a posição mas não garante o preço exato de saída, sobretudo em um gap ou no minuto de um dado macroeconômico.
Vale dizer com clareza: nenhuma corretora do mundo consegue eliminar o slippage, porque sua origem está no mercado, não na plataforma. O que ela pode fazer é reduzi-lo, com roteamento a vários provedores de liquidez, infraestrutura próxima aos centros financeiros e regras de execução simétricas. E o que o trader pode fazer é igualmente concreto: evitar abrir no minuto exato de uma divulgação, usar ordens limitadas quando o preço importar mais do que a pressa, dimensionar a posição e não deixar o tamanho superar a liquidez do instrumento. Operar com alavancagem envolve risco de perda.
O essencial
O slippage vai nos dois sentidos
Pode jogar contra ou a favor: o que importa é uma regra simétrica.
A primeira linha não é tudo
Uma ordem grande consome vários níveis do livro e sai a preço médio.
Em um gap não há preço
Se nada foi negociado ali, nenhuma ordem pode ser executada nesse nível.
O stop não fixa o preço
Ao ser acionado vira ordem a mercado: protege, mas não garante o nível.
Redacción VexPro
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